e pur si muove.
este causo que vou lhes contar hoje é algo que estava guardado em uma gaveta da minha mente há algum tempo, mas que, por motivos, digamos, políticos, eu não poderia ter escrito mesmo que o inferno estivesse à tona na época em que ocorreu.
religião é um tema deveras controverso. cada um tem a sua, e geralmente é bastante aguerrido na defesa de suas crenças. eu aprendi isso da maneira mais difícil possível, quando, ainda à época do primeiro inferno, perdi definitivamente aquela que era uma grande amiga por conta de uma tola discussão metafísica sobre a existência ou não de deus. e vejam bem, não estamos aqui falando de nenhuma carola, e sim de uma pessoa espiritual, mas com a mente aberta que, justificadamente, não foi capaz de tolerar meu ateísmo galopante e, à época, desrespeitoso.
pois bem, o tempo passou, o bamerindus faliu (a ironia justifica o anacronismo), e eu aprendi algumas coisinhas sobre respeitar as crenças religiosas dos outros. como dizem os nativos da capital do império, eu aprendi a arte do agree to disagree. mas, de tempos em tempos, eu me sinto compelido a desabafar sobre certas coisas que me indignam. já ouvi por aí que a capacidade de se indignar diante de injustiças (independente de qual seja o seu conceito de “justiça”) é um dos pré-requisitos para a profissão de jornalista, e, assim, venho aqui relatar um caso que aconteceu comigo e que envolve o possivelmente mais espinhoso dos “assuntos probidos” (religião, política e futebol).
continua...
fagulhas