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21 out 2008

tentação.

o primeiro inferno saiu do ar por ter se tornado um muro de lamentações pessoais, que nada tinham a ver com aquilo que pretendia discutir por lá.

eu não vou ceder à tentação, novamente.

enquanto isso, escutem the go! team.

edit.

e demorou cinco horas e dezoito minutos para eu perceber que dia é hoje! estou melhorando!

29 set 2008

e pur si muove.

este causo que vou lhes contar hoje é algo que estava guardado em uma gaveta da minha mente há algum tempo, mas que, por motivos, digamos, políticos, eu não poderia ter escrito mesmo que o inferno estivesse à tona na época em que ocorreu.

religião é um tema deveras controverso. cada um tem a sua, e geralmente é bastante aguerrido na defesa de suas crenças. eu aprendi isso da maneira mais difícil possível, quando, ainda à época do primeiro inferno, perdi definitivamente aquela que era uma grande amiga por conta de uma tola discussão metafísica sobre a existência ou não de deus. e vejam bem, não estamos aqui falando de nenhuma carola, e sim de uma pessoa espiritual, mas com a mente aberta que, justificadamente, não foi capaz de tolerar meu ateísmo galopante e, à época, desrespeitoso.

pois bem, o tempo passou, o bamerindus faliu (a ironia justifica o anacronismo), e eu aprendi algumas coisinhas sobre respeitar as crenças religiosas dos outros. como dizem os nativos da capital do império, eu aprendi a arte do agree to disagree. mas, de tempos em tempos, eu me sinto compelido a desabafar sobre certas coisas que me indignam. já ouvi por aí que a capacidade de se indignar diante de injustiças (independente de qual seja o seu conceito de “justiça”) é um dos pré-requisitos para a profissão de jornalista, e, assim, venho aqui relatar um caso que aconteceu comigo e que envolve o possivelmente mais espinhoso dos “assuntos probidos” (religião, política e futebol).

continua...
25 set 2008

fósforos molhados.

depois do escrito re-inaugural de ontem, bateu-me um exagerado saudosismo e uma curiosidade a respeito de onde eu teria enfiado os velhos textos do primeiro inferno. admito que cheguei até a considerar a hipótese de republicá-los, sob um tag como “há tantos anos no inferno”, antes de concluir o quão picareta isso seria.

ocorre que, fechado o antigo inferno tão de supetão, o máximo que fiz para preservar seu legado foi fazer um dump do banco de dados do servidor em um arquivo SQL e largar por aí… em algum lugar.

continua...

de volta do mundo dos mortos.

nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita.

(dante alighieri)

vão-se quase sete anos desde que o inferno ascendeu. ou serão mais?

confesso que não me recordo mais da data do primeiro post daquele que ainda chamava-se “o inferno é aqui”. lembro-me apenas que, logo no começo, havia um escrito comentado sobre alias, sim, a série que fez a fama de jennifer garner, que havia acabado de estrear na axn brasileira e que fazia o blog parecer-se com um site de celebridades.

ao longo do tempo, “o inferno é aqui” virou “in limbo”, voltou a ser “o inferno é aqui” e, nos seus derradeiros dias, tornou-se, finalmente, apenas o inferno. saiu do geocities para o portland.co.uk e chegou a ter um domínio próprio, o cityofdis.org. passou do blogger para o greymatter, seguiu para o b2 e enfim fixou-se no lastimável wordpress – bom, naquela época, era o que havia de menos pior. por fim, a chama extinguiu-se e o inferno retornou às profundezas em maio de 2004, após um período recheado de letras de música e escritos sentimentalóides.

all good things must come to an end. or must they?

eis que, neste 25 de setembro de 2008, o inferno volta ascender e acender-se. em sua nova versão, o inferno tornou-se velho. continua um blog (formato que conseguiu tornar-se ultrapassado após apenas nove anos de sua gênese), continua focado em textos longos, pedantes e cansativos, continua avesso a fotos e a maiúsculas. e, acima de tudo, continua pessoal.

o velho inferno agora vem em roupagem pretensamente política. o politikadroma.com nasceu como um projeto para suplantar o inferno, como um novo blog que seria abstinente de pessoalidade e só falaria sobre o outro. evidentemente, o projeto naufragou, e o domínio, registrado desde outubro de 2004, não havia servido para nada de útil até agora. o inferno volta, como era antes, como um sub-domínio, pois ser “sub” sempre foi a sua vocação.

em se tratando da tecnologia empregada, sigo minha jornada em busca do sistema de publicação ideal, e venho parar no byteflow. a escolha se deu depois de meses a fio gastos em uma procrastinação que tinha como falso objetivo construir, do zero, meu próprio sistema de publicação (embora tenha tido sucesso em construir um CMS baseado no framework turbogears, o amadorismo do resultado final serviu para colocar-me em meu devido lugar, de usuário, e não produtor, de tecnologia). o motivo primordial da decisão foi o fato de o byteflow ser escrito em python. se vai compensar futuras dores de cabeça, a ver.

muito aconteceu de maio de 2004 para cá. o brasil foi campeão do mundo, passei um ano casado, a bolha dos subprime mortgages estadunidenses finalmente estourou, eu aprendi a apreciar o futebol americano, o iphone tornou-se o jesus phone, a câmera tornou-se um acessório indispensável em um celular para mim (eu sabia), lula e w. bush reelegeram-se, eu vi a morte de perto em mais de uma circunstância e a apatia consumista – o sentido da expressão é em paralelo, não em série – da (falta de) ideologia mundial aprofundou-se. pessoas se foram (tanto metafórica quanto literalmente) e pessoas vieram. apesar de ainda jovem, eu envelheci. a cocaína não tem mais efeitos colaterais, os espelhos se quebraram, e o céu de um parque não está mais a nos testemunhar.

mas a máscara continua pegada à cara, e, à parte isso, ainda tenho em mim todos os sonhos do mundo.