nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura,
ché la diritta via era smarrita.
(dante alighieri)
vão-se quase sete anos desde que o inferno ascendeu. ou serão mais?
confesso que não me recordo mais da data do primeiro post daquele que ainda chamava-se “o inferno é aqui”. lembro-me apenas que, logo no começo, havia um escrito comentado sobre alias, sim, a série que fez a fama de jennifer garner, que havia acabado de estrear na axn brasileira e que fazia o blog parecer-se com um site de celebridades.
ao longo do tempo, “o inferno é aqui” virou “in limbo”, voltou a ser “o inferno é aqui” e, nos seus derradeiros dias, tornou-se, finalmente, apenas o inferno. saiu do geocities para o portland.co.uk e chegou a ter um domínio próprio, o cityofdis.org. passou do blogger para o greymatter, seguiu para o b2 e enfim fixou-se no lastimável wordpress – bom, naquela época, era o que havia de menos pior. por fim, a chama extinguiu-se e o inferno retornou às profundezas em maio de 2004, após um período recheado de letras de música e escritos sentimentalóides.
all good things must come to an end. or must they?
eis que, neste 25 de setembro de 2008, o inferno volta ascender e acender-se. em sua nova versão, o inferno tornou-se velho. continua um blog (formato que conseguiu tornar-se ultrapassado após apenas nove anos de sua gênese), continua focado em textos longos, pedantes e cansativos, continua avesso a fotos e a maiúsculas. e, acima de tudo, continua pessoal.
o velho inferno agora vem em roupagem pretensamente política. o politikadroma.com nasceu como um projeto para suplantar o inferno, como um novo blog que seria abstinente de pessoalidade e só falaria sobre o outro. evidentemente, o projeto naufragou, e o domínio, registrado desde outubro de 2004, não havia servido para nada de útil até agora. o inferno volta, como era antes, como um sub-domínio, pois ser “sub” sempre foi a sua vocação.
em se tratando da tecnologia empregada, sigo minha jornada em busca do sistema de publicação ideal, e venho parar no byteflow. a escolha se deu depois de meses a fio gastos em uma procrastinação que tinha como falso objetivo construir, do zero, meu próprio sistema de publicação (embora tenha tido sucesso em construir um CMS baseado no framework turbogears, o amadorismo do resultado final serviu para colocar-me em meu devido lugar, de usuário, e não produtor, de tecnologia). o motivo primordial da decisão foi o fato de o byteflow ser escrito em python. se vai compensar futuras dores de cabeça, a ver.
muito aconteceu de maio de 2004 para cá. o brasil foi campeão do mundo, passei um ano casado, a bolha dos subprime mortgages estadunidenses finalmente estourou, eu aprendi a apreciar o futebol americano, o iphone tornou-se o jesus phone, a câmera tornou-se um acessório indispensável em um celular para mim (eu sabia), lula e w. bush reelegeram-se, eu vi a morte de perto em mais de uma circunstância e a apatia consumista – o sentido da expressão é em paralelo, não em série – da (falta de) ideologia mundial aprofundou-se. pessoas se foram (tanto metafórica quanto literalmente) e pessoas vieram. apesar de ainda jovem, eu envelheci. a cocaína não tem mais efeitos colaterais, os espelhos se quebraram, e o céu de um parque não está mais a nos testemunhar.
mas a máscara continua pegada à cara, e, à parte isso, ainda tenho em mim todos os sonhos do mundo.
fagulhas