dona marta parte para cima de gibinha.
finalmente, são paulo parece estar em época de eleições. já era hora.
as eleições começaram de fato quando o datafolha publicou a pesquisa que coloca o atual prefeito, gibinha, dezessete pontos à frente de sua concorrente, dona marta. a luz vermelha (com o perdão da ironia) acendeu no diretório do pt, que resolveu ativar o modo “cão raivoso” de sua candidata. no debate de domingo, na band, sabendo que ia ser difícil controlar o ímpeto, digamos, “combativo” de dona marta, os marketeiros do pt ao menos garantiram que ela atacasse gibinha em pontos nevrálgicos.
deu certo. foi um massacre. gibinha, em certo momentos, parecia perdido e confuso1. dona marta fez a lição de casa ao, por exemplo, ler os vetos de gibinha. foi constrangedor quando a candidata do pt perguntou sobre o veto ao projeto que previa licença-maternidade de seis meses. gibinha tentou enrolar alegando a inconstitucionalidade do projeto, uma vez que o executivo seria o único poder autorizado a criar despesas para o estado. pode até ser verdade, mas dona marta arrematou lendo um trecho politicamente pouco correto do veto, que afirma “não haver estudos técnicos suficientes para determinar o tempo adequado de licença-maternidade”. hmmm.
outro ponto alto de dona marta foi a crítica ao partido do prefeito gibinha, que, de fato, é o partido dos coronéis no nordeste. triste é pensar que dona marta e o pt jamais teriam coragem de falar uma verdade dessas não fosse o desespero da campanha. mas gibinha ficou tão assustado com o direto no queixo que sequer retornou a esse assunto. deixou no ar a acusação.
mas a cereja do bolo foi mesmo quando gibinha passou uma tréplica inteira elogiando os projetos de dona marta quando prefeita. a isca foi tão óbvia que, enquanto assistia ao debate, eu tive certeza que gibinha jamais cairia nessa: “o prefeito e o partido dele são contra os ceus, votaram contra, passaram dois anos ignorando o projeto e só quando a população reclamou eles foram atrás de fazer”. mas gibinha não se fez de rogado, e mordeu com gosto: “ah, eu não sou um prefeito partidário, o ceu era bom, então a gente continuou, o bilhete único era bom, e a gente continuou”. uma pérola do folclore político nacional.
puxado para fora do armário
porém, dona marta não estava satisfeita, e resolveu, em sua propaganda política, questionar o fato de gibinha ser, bem, gibinha. ”é casado? tem filhos?”, diz a polêmica inserção, após alguma perguntas mais pertinentes a respeito da trajetória política de gibinha e seus aliados. baixo nível, evidentemente, mas a elite tucana de são paulo tratou de se aprumar em seu poleiro, acusando o golpe. a imprensa aproveitou a polêmica para ignorar solenemente a surra levada pelo seu candidato preferencial e se focar em tentar destruir a já destruída campanha de dona marta – nem o presidente acredita na virada.
o fato de o divórcio de dona marta e seu recasório terem sido escrutinados em praça pública, obviamente, também sequer foi lembrado. o pt antigamente era um partido que não revidava golpes baixos como esse – tal como lula fez em 89, ao sofrer calado o caso lurian – mas parece que os novos tempos do pt cor-de-rosa também deixaram de lado certo princípios éticos. de qualquer forma, é hilária a hipocrisia dos habitantes dos jardins nesse caso.
resumo da ópera
dona marta perdeu a cabeça e possivelmente as eleições, mas quer levar gibinha junto com ela. vai bater e arrancar o sangue que puder do pefelê. quer garantir que chegue desidratado o bastante na prefeitura para que ninguém ouse gritar “se joga, gi!” num próximo pleito. nesse processo, provavelmente sairá mais queimada que uma rosquinha, a ponto de futuramente ter que se dedicar a cozinhá-las e assumir, enfim, o tão deprezado título de dona.
mas, até lá, essa campanha vai trazer ainda muitos momentos de puro ouro, dignos da gloriosa fauna política tupiniquim. não se esqueçam, crianças, domingo é na record.
1 referência necessária a al michaels comentando a defesa de um time que foi destroçado em uma partida de madden 08, “at times looking lost and confused”.

fagulhas