barbárie, ato um.
cenário: um banco de uma pequena cidade, no interior de wisconsin.
personagens: john doe; gerente de banco.
ato um.
john doe: boa tarde, seu gerente.
gerente: boa tarde, senhor doe. como posso ajudá-lo?
john doe: eu queria um empréstimo, pra poder comprar uma casa. tipo aquele negócio de hipoteca, sabe?
gerente: sim, sim… pois bem, quanto o senhor ganha por mês?
john doe: ah, isso depende do mês né?
gerente: como assim? quanto o seu patrão te paga?
john doe: ah, eu não tenho patrão, eu faço uns bicos aqui e ali. tem mês que sai uns 5 mil dólares, outros que sai uns mil.
gerente: ahn… certo. e quantas pessoas o senhor tem como dependente?
john doe: ah, pouca gente. só eu, minha mulher, meus cinco filhos, minha sogra e uma tia da minha mulher.
gerente: hm. e quanto custa a casa que você quer comprar? e em quanto tempo o senhor planeja pagar a hipoteca?
john doe: custa cinqüenta mil. eu tava pensando nuns 30 anos, por aí.
gerente: hm, o senhor tem algum bem no seu nome?
john doe: tenho um corvette 83, tá meio velhinho, mas dá pro gasto, sabe?
gerente: certo. é só o senhor assinar aqui.
john doe: ah, fechado então!
parece absurdo? pois era mais ou menos assim que funcionavam as hipotecas americanas até três anos atrás. e disso só piora.
continua...
fagulhas