26 ago 2009

é chegada a hora?

tá me dando uma coceira de reformular todo esse puteiro aqui. do layout até o sistema por baixo de tudo.

só pra constar.

01 mar 2009

continentes em transição.

a sala está quente e assim ela tem estado por muito meses.

enquanto correntes de instabilidade escorrem pelo teto, deixando cair gotas de insanidade sobre meus ombros mal-intencionados, eu conto os cigarros que me faltam: três. pondero sobre acender o ante-penúltimo deles. pondero sobre tomar uma dose de whisky. mas o sentimento, ou sensação, fisicamente torpe que se apossa dos meus ossos me diz que não. acendo um cigarro, então.

você pega um dedo, e então outro dedo, e então um cigarro. sábias e vãs palavras. não é possível controlar um cigarro, quanto mais seus dedos, durante um terremoto. você se apodera dele, você mergulha nele como se fosse uma piscina, fecha seus olhos, apenas para descobrir que não havia água no final, e quando você finalmente ultrapassa a barreira do chão, rios de lava te esperam, rios de lava que te refrescam do calor que reinou durante meses na sala.

correção, reina.

ah, terremotos, não há nada de belo ou glorioso sobre eles. é a pura alma da anarquia, a destruição em sua forma mais bruta, em toda a multiplicidade de sentidos que a palavra ‘bruta’ comporta. é preciso destruir. é preciso destruir sem alma, sem dó, sem coração. nada pode ser construído sem que se destrua. e não ceda à tentação de manter as fundações, de aproveitá-las para reconstruir sua atopia. destrua, como um furacão, não, como apenas um terremoto é capaz. inutilize os pedaços mais aparentemente inúteis da construção.

quando um pedaço do teto desabar a centímetros da sua cabeça, você saberá que está no caminho certo.

o rio de insanidade segue seu fluxo de inconsciência, e a instabilidade reina. junto com o calor. e mesmo assim, está tão frio. ah, está tão frio. não, não, não, não era para ser assim. nunca é para ser de modo nenhum, mas o terremoto destrói pelo prazer de destruir, para que possamos construir depois. são continentes em transição, e não há força em lugar nenhum desse planeta mais imprevisível que os continentes.

o cigarro chega ao fim. estou submerso até o pescoço no mar da insanidade. sinto-me na lua. em seu lado negro. ah, eu esperei tanto pela destruição, e quando ela vem, ela consegue me pegar de surpresa. o céu está cinza, o ar empoeirado, vigas quebradas de casas sem teto ilustram a paisagem. é como o inverno nuclear, exceto que está quente. muito quente. os choques secundários estão por vir.

mas preciso dormir. doces pesadelos me aguardam.

10 fev 2009

ignorance is a bliss.

quem diabos é newton?!

se eu fosse escrever uma linha fina, ela seria: ”einstein fica na casa, embora niels bohr ameace mandá-lo para o paredão na semana que vem”.

ai, meu cérebro.

então, crianças. antes de qualquer coisa, assistam a este vídeo:

continua...
02 fev 2009

a chuva.

estela corria em disparada pela avenida paulista. as primeiras gotas d’água começavam a cair esporadicamente em sua mão, seus braços, seu cabelo. estela não gostava de chuva, e tinha esquecido seu guarda-chuva em casa. apesar do verão escaldante da cidade de são paulo, a meteorologia garantira-lhe que naquele dia não iria chover. merda, pensou consigo mesma. por que raios fui acreditar em algo tão confiável quanto a previsão do tempo?

estela corria para o metrô. aquele dia não tinha sido dos melhores para ela. certo, isso foi um eufemismo: aquele dia havia sido terrível para estela. na agência, um cliente ligara reclamando porque ela fizera exatamente aquilo que ele houvera pedido. seu chefe, evidentemente, defendera o cliente, e aquilo era o bastante para tirar estela do sério.

mas as mesquinharias do dia-a-dia podiam tirar estela do sério, mas não de sua fortaleza emocional. o que realmente irritava estela, o que a deixava tão irritada, mais que seu chefe, mais que a chuva, era a rotina. a perspectiva de ir e voltar, de casa para o trabalho, do trabalho para casa. das festas para os hotéis, dos hotéis para as casas de amigos. sua vida tocava como um toca-discos que fosse servido um disco riscado. e sequer era uma canção bonita aquela em que estava presa.

quando a diversão tornara-se rotina, algo morrera dentro de estela. seus sonhos e ambições estavam lá. seu coração batia, seus pulmões respiravam, seu cérebro tinha seus curto-circuitos. mas ela não tinha mais algo essencial, algo que a definira em anos anteriores. um vazio tomara conta dela, e ainda assim, tudo que ela pensava era em conseguir chegar à estação consolação antes da maldita chuva.

foi quando, de repente, uma gota acertou-lhe bem entre os olhos. estela parou de súbito e olhou para cima: a chuva começara. e como se aquele fosse o momento pelo qual esperava há tanto tempo, estela levantou os braços e sorriu.

os guarda-chuvas apressados, ainda presos em sua ignorância dos princípios mais simples da vida, passavam ao lado de estela reclamando, almadiçoando, mas nada disso mais importava. estela dançava sob a chuva, braços abertos, sorriso aberto, peito aberto. dançava a bela próxima canção, que tanto demorara para ser alcançada pela agulha, mas que agora podia ser ouvida, e estela espantava-se com sua própria beleza. estela fechou os olhos, molhados não sabia ela se mais por lágrimas ou pela chuva, e tornou a abrí-los.

foi então que estela viu a neve.

12 dez 2008

paraíso perdido.

ela se levantou da cadeira, foi decidida até a cozinha, pegou um copo e encheu com coca-cola. encheu é força de expressão; não havia o suficiente para encher o copo. não tinha mais tanto gás como deveria, mas isso não a incomodava; ela preferia refrigerante sem gás. gases provocavam queimação. no longo movimento de fechar a geladeira, olhou de soslaio para o que ainda restava: um saco de pão de forma de alguns meses atrás, margarina, diversos molhos, cebolas com raízes crescendo. aquilo foi o suficiente para tirar sua fome.

voltou para seu quarto, sentou-se em sua cadeira e olhou para a tela do computador. não havia ninguém para conversar. pensou em ligar para alguém, mas às três horas da manhã não seria uma boa idéia. abriu a janela e acendeu um cigarro. e começou a pensar em como odiava os paladinos do anti-tabagismo. como pouco importava se estava ou não de fato “viciada” enquanto aquelas baforadas lhe dessem prazer.

da janela do seu quarto, podia ver as sombras dos prédios que, a alguns quarteirões dali, situavam-se na avenida paulista. contemplou a fumaça do cigarro fazer belos desenhos em contraste com aquelas sombras e com as luzes de natal que se destacavam na paisagem. natal. comemorar o nascimento de um sujeito que foi o responsável pelos católicos, e, pior, pelos protestantes? ainda assim, naquele natal, reunir-se-ia com parentes que há muito não encontrava.

tentou relembrar de seu ano, dos pontos altos, dos pontos baixos, tentou pensar em como contaria o que tinha feito durante todo aquele tempo. ela tinha uma tendência de falar e pensar literariamente. gostava de entrar em detalhes sobre determinados eventos. gostava de dizer que determinada pessoa usava sapatos vermelhos enquanto a história que contava acontecia. gostava de florear, de integrar o ouvinte ao clima da história, fazê-lo sentir-se parte dela, e organizava a ordem do que contava não cronologicamente, mas pelo potencial de impacto. arrematava as histórias com um grande clímax. os impacientes detestavam sua maneira contar histórias, mas, para ela, era quase uma definição de seu modo de ser.

mas, ao tentar fazer isso com seu ano, percebeu que não havia uma história. não havia um clímax, não havia um começo. e então entendeu que a vida não é um filme de hollywood. que não há morais, não há lições. não há sequer boas histórias a serem contadas. os eventos são aleatórios; ou, se não os são, há fatores demais em jogo para se montar um roteiro. strange things happen all the time.

um barulho no computador. alguém queria falar com ela. olhou novamente para paisagem que se estendia do paraíso à consolação. atirou longe a bituca e fechou a janela.

logo, seriam oito horas da manhã.

16 nov 2008

ato falho.

depois de derrotar uma candidata do pt no segundo turno, na sua primeira eleição para cargos executivos, só falta mesmo gibinha dizer que tem aquilo roxo.

05 nov 2008

em discurso emocionante, barack obama aceita cargo de imperador.

barack hussein obama é o primeiro presidente eleito pelos estados unidos da américa após a captura e o enforcamento de sadam hussein. um toque de ironia para uma noite histórica.

um discurso que não é outra coisa senão uma obra prima marcou a aceitação do cargo pelo primeiro presidente negro do império.

cabe a pergunta: quanto tempo até que joe biden efetivamente assuma?

longo post por vir amanhã.

john mccain reconhece a derrota.

john mccain acaba de fazer seu concession speech em phoenix, az.

i had a dream. but now, i’m wide awake.

mais em breve.

29 out 2008

bossinha.

pois justo agora estava eu com o violão no colo, tocando a esmo1, quando de repente, não mais que de repente, começam a sair alguns acordes que lembram muito uma bossa nova.

inspirado, eu vou improvisando uma melodia nos “lalalás”, para desespero dos vizinhos, quando, sem perceber, eu solto um ”êêsse rio de janeeeiro”…

essa é a semana do nonsense, definitivamente.

1 o que significa alternar entre as introduções de finally free, do dream theater, e nothing else matters, do metallica, que são os dois únicos trechos de música dedilhados que eu sei tocar no violão, mesmo embora eu não suporte mais ouvir nenhuma das duas bandas.